Sobre o Pão Francês
Estima-se que o pão tenha aparecido por volta de 10 000 a.C. e difundido pelos hebreus. Com o tempo ele se tornou um verdadeiro símbolo, uma personificação perfeita que resume o conjunto dos alimentos. Ele aparece desde a oração modelo - o pão nosso de cada dia - até provérbios conhecidos no mundo inteiro como o polonês "sem trabalho não há pão". Hoje ele é consumido em quantidade incrível e em alguns lugares, como no Marrocos, as pessoas comem até 100 quilos por ano.Mesmo com uma história tão antiga, um verdadeiro patrimônio da humanidade, o Estado acha que tem o poder de tomar para si as decisões que deveriam pertencer a ninguém mais que o produtor e o consumidor. A lei que recentemente entrou em vigor, obrigando que a venda desse produto seja feita por quilo é apenas um dos muitos exemplos da invasão estatal nas questões individuais.
Vamos imaginar um vilarejo. Nesse lugar há apenas um vendedor de pão. Ele vende seu produto por unidade e seus pães costumam ser bem negros. Mas uma parte dos habitantes desse lugar gostaria de comprar por quilo, pois acham que é mais vantajoso ou por qualquer outro motivo que não nos interessa. Existe ainda outra parcela da população que gosta de pães menos assados, mais brancos. O que acontece então? O vendedor deverá se adaptar a esses tipos de consumidores, produzindo as duas variedades do pão e vendendo dos dois modos. E se não o fizer, por um motivo qualquer? Aparecerá um outro vendedor de pães! Concorrência é isso, é saudável. Alguém que tenha espírito empreendedor irá entender que pode lucrar com a situação e vai produzir outra variedade ou as duas, vendendo de maneira diferente ou como for de interesse de seus consumidores. Além de tudo, os dois produtores em questão terão que fazer uma corrida pela qualidade a fim de atrair mais clientes.
A lei que está em vigor agora neste país visa apenas atrapalhar essa relação espontânea entre cidadãos (relação essa que para a esquerda é de violência e exploração) e não faz mais nada que prejudicar a economia de mercado e suas leis, que Smith chamava de mão invisível. Agora temos notícias de outra frente parlamentar que deseja fazer com que o pão volte a ser vendido por unidade. Grande coisa, é um projeto tão ridículo e ineficaz quanto o outro. É por isso que esse país ainda tem muito a aprender. Quanto se trata de marketing político são mestres. Quando é o que interessa mesmo, são amadores. Procuram o problema exatamente na solução e vice-versa.
A única crítica plausível a essas leis econômicas é a sacanagem de alguns maus elementos e chupins que formam os chamados cartéis, crimes como combinação de preços e distribuição de mercado por parte dos pilantras em questão. Esse tipo de discussão deve sempre ser levada em conta até porque é de interesse do próprio liberalismo que o problema seja solucionado. Essa prática é proibida por lei e deve ser punida. E, quando sujeitos exploradores (esses sim o são) como esses são pegos devem servir de exemplo a todos os demais. Não é absoluto, não é perfeito? Não. Mas o que é nesse mundo? Felizmente ainda teríamos ferramentas para coibir esse tipo de ação.
Mas a mudança não virá enquanto o Estado for visto de forma paternalista. Stuart Mill dizia em seu On Liberty que as pessoas aos poucos vão entendo que o poder do Estado nada mais é que o poder do conjunto de indivíduos. Pena que nessa matéria (como na maioria) ainda estamos atrasados. É nesses casos que o Estado deveria agir. Em vez disso, prefere pensar em coisas que definitivamente não são de sua conta como se tornar empresário etc, etc. Outros ainda pregam que o problema de tudo está na luta de classes. Atrasados novamente e dessa vez pelo menos uns 150 anos. Não é tão difícil compreender que a verdadeira luta hoje em dia não é mais de patrões contra empregados. Mas sim de patrões e empregados conta aproveitadores e criminosos. E como, ao que parece, está cada vez mais difícil que isso seja compreendido, tempos duros virão pela frente...

3 Comments:
Oi...
Achei que esse último post foi muito exagerado muito quanto a questão dos pães.... ok, o estado não deveria interferir na economia mas essa é uma interferência tão pequena e que irá apenas deixar mais justa a condição dos consumidores de pães... como vocês disseram o pão é um alimento muito importante em muitas culturas (inclusive na brasileira)e com essa lei o preço reduziria bastante...foi feita uma pesquisa e foi mostrado que o preço que nós pagamos por um pãozinho com menos de 25 gramas (não me recordo se esse é número exato de gramas mínimos que deve ter um pãozinho) o mesmo preço de um pãozinho de 25 gramas (chegaram a ver pães que tinham metade desse peso).
E acho que essa é uma questão tão pequena para se preocupar (comparado a outros problemas bem maiores que ocorrem hoje no Brasil) e que até essa interferência não seria de todo mal...
Oi...
Achei que esse último post foi muito exagerado muito quanto a questão dos pães.... ok, o estado não deveria interferir na economia mas essa é uma interferência tão pequena e que irá apenas deixar mais justa a condição dos consumidores de pães... como vocês disseram o pão é um alimento muito importante em muitas culturas (inclusive na brasileira)e com essa lei o preço reduziria bastante...foi feita uma pesquisa e foi mostrado que o preço que nós pagamos por um pãozinho com menos de 25 gramas (não me recordo se esse é número exato de gramas mínimos que deve ter um pãozinho) o mesmo preço de um pãozinho de 25 gramas (chegaram a ver pães que tinham metade desse peso).
E acho que essa é uma questão tão pequena para se preocupar (comparado a outros problemas bem maiores que ocorrem hoje no Brasil) e que até essa interferência não seria de todo mal...
Muito bom dia!
Bem, a minha visão (afinal, um artigo é onde expomos visões, não verdades absolutas) é que não se trata de uma questão para discutir preferências pessoais, mas sim para que todas elas sejam satisfeitas.
Tenho uma vizinha que prefiria antes, por unidade, pelo menos sabia exatamente quanto ia pagar. Minha mãe gosta por peso, porque acha que vai pagar exatamente o que consumir. O que vi alguns depoimentos num forum outro dia de lugares que sempre venderam por quilo. Essas coisas acontecem naturalmente. E vale lembrar que também existem argumentos contrários a venda por quilo, parece que comprar aqueles mais 'morenos' pesam mais ou menos que os mais branquinhos, não sei a ordem correta. E até mesmo se o pão está quente ou frio influencia. Os comerciantes podem se aproveitar disso também, assim como por unidade. Se houver concorrência, um pão menor vai perder a vez perto de um maior do concorrente. Além do que parece que essa lei é inconstitucional.
Quero que todos tenham a liberdade de escolher como querem comprar, não faço propaganda ''pro-unidade'' nem ''pro-quilo''. Quero liberdade, nada mais que isso.
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