segunda-feira, novembro 20, 2006

Adeus, Marx!

"O Capitalismo gera o seu próprio coveiro, pois é fundamentado na Injustiça Social e na exploração do Trabalhador” Karl Marx

Karl Marx viveu no século XIX e presenciou a Segunda Revolução Industrial. Assim, sua teoria propõe-se a analisar o papel do setor secundário na Economia e principalmente do operariado.
Marx estava certo, quando dizia que um sistema que tende a excluir e explorar uma maioria em benefício de uma minoria está fadado ao fracasso. Exemplos não faltam. O Antigo Regime caiu porque a maioria oprimida se levantou e fez uma revolução, a Francesa. De acordo com essa lógica, Marx então pensou que assim que os operários se unirem e fizerem a revolução, como está escrito em o Manifesto Comunista, o capitalismo ruiria. É, parece que estava correto. O Capitalismo não era selvagem. Era desumano. Até crianças trabalhavam em condições subumanas.

Devemos lembrar, no entanto, que essa teoria é do século XIX. Após 200 anos, o “injusto” Capitalismo mudou. Vamos, portanto, analisar as novas relações de trabalho.

Como dito antes, era o operariado (incluído no setor secundário) que estava em expansão e fortalecimento, graças à crescente influência que a Indústria detinha na Economia, pois um país desenvolvido era um país industrial. Marx, então, formula sua teoria com base nesse setor, após analisar as relações de trabalho existentes entre patrão e empregado, estas serem mesmo de exploração. Portanto, esse operariado deveria se unir (“Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos” Manifesto Comunista) e derrubar o Capitalismo, inaugurando o Socialismo e o bem-estar de todos os trabalhadores.

Mas atualmente o operariado tem nenhuma ou pouca influência, porque as transformações pós-II Guerra alteraram a estrutura social mundial: Vemos hoje a ascensão do setor terciário da Economia, os Serviços. Pode uma teoria baseada no segundo setor servir para o terceiro? Não. Segundo Domenico de Masi, que criou a teoria da Sociologia do Trabalho para o século XXI, o empregado, não mais operário, tem como função atual inovar. Neste século, não importa quem tem mais indústria poluidora, ainda segundo de Masi. Importa quem investiu em capital humano, e esse capital retorna em forma de serviços na área de tecnologia. Quantas invenções presenciamos cada vez mais rapidamente? Quantos trabalhadores ganham mais e vivem melhor do que no século XIX?

E a indústria? Os robôs trabalham agora. E o antigo operário, imortalizado na figura do apertador de porcas e parafusos, hoje é programador de robô, analista de sistemas, desenvolvedor de hardware, inventor.

Outro ponto que a teoria de Marx toca é sobre a questão da perda dos “meios de produção”, e sua conseqüente apropriação pelo burguês. Isso no século XIX. Atualmente, a grande maioria dos empregados são donos dos meios de produção, graças ao aparecimento dos acionistas. Qualquer pessoa, seja ela rica, pobre, burguesa, comunista, pode investir na bolsa de valores e comprar ações de qualquer empresa que lá esteja negociando-as. A partir do momento que essa pessoa as compra, estará comprando uma parcela da empresa, e terá direito aos dividendos, que são porcentagens que a pessoa ganha em cima do lucro dessa empresa. Os trabalhadores do Bradesco são um exemplo. A política desse banco é vender ações para seus trabalhadores, de forma que o controle da empresa não saia dos trabalhadores do Bradesco. Os presidentes atuais desse banco foram trabalhadores dele.

Qual o papel de Marx na História então? Foi um dos primeiros a criar teorias econômicas sobre o funcionamento do Capitalismo. Influenciou na criação de sindicatos, associações e uniões para lutar por direitos trabalhistas. Hoje, suas teorias encontram diferentes realidades, e não servem para explicar o presente. A esquerda que percebeu isso, principalmente a européia, hoje luta por políticas de Estado que barrem a criação de desigualdades e injustiças no Capitalismo, como políticas de educação e criação de Agências Reguladoras. Diferentemente da velha e arcaica esquerda brasileira, que ainda discute formas de ditadura do proletariado, de confisco do patrimônio alheio (em nome do “bem comum”, óbvio) e de políticas de Estado soviéticas de “fomento” do desenvolvimento. Vide P-SOL, PSTU, PCO, e grande parte do PT.

5 Comments:

At novembro 29, 2006, Anonymous Anônimo said...

Poxa, não temos comentários aqui??tem que divulgar mais o sitio.

Esqueceram de citar alguns argumentos aonde o Marx viajou, como condicionar a humanidade a um padrão massificado, não reconhecendo a individualidade, algo possível para se condicionar um ser humano só através de uma forte "lavagem cerebral".

E não esqueçam de das os méritos ao marx pela sua análise de uma sociedade através dos meios de produção, aparte mais atraente de seu trabalho.

 
At dezembro 11, 2006, Anonymous Anônimo said...

o legado de Marx fica em sua metodologia, seu pensamento de análise insuperável até hj e que muitos marxistas contemporâneos trouxeram suas críticas p/ os dias de hoje e capitalismo atual...portanto falar q Marx não é atual é realmente fazer sua leitura da forma mais ortodoxa e cabal possível, é querer usar de argumentos já superados no meio acadêmico...desculpem...mas de direitistas liberais infundados o mundo está cheio...próxima vez tenha argumentos mais embasados dpois de ler marxistas atuais...

 
At dezembro 24, 2006, Blogger Carta Liberal said...

Discordo. Marx criou uma corrente de análise do capitalismo que é muito seguida por boa parte dos "intelectuais" e "acadêmicos" de nossas vermelhas Universidades. Quanto à análise histórica, foi um ângulo de visão criado, orginial em alguns aspectos, e totalmente copioso quanto a outros, como à existência de "classes sociais". Diversos outros autores já citavam, não com esse termo, espalhado por Marx.
Quanto à análise do capitalismo, diversas outras correntes, algumas com influências de Marx, já abandonaram a idéia de Revolução Operária, como a Social Democrata, que rompeu com a Internacional no começo do século XX. Nosso texto não tem o objetivo de dizer que Marx não é atual, mas de enfatizar que muitas de suas análises são ultrapassadas, como a questão da Revolução e da importância do operariado, e criticar partidos e seitas, mais parecidas com religiões fundamentalistas, que pregam passadismo e idiotices jurássicas para o mundo moderno.

 
At maio 26, 2007, Anonymous Anônimo said...

bla bla bla

 
At julho 02, 2007, Anonymous Anônimo said...

Erro crasso: "Atualmente, a grande maioria dos empregados são donos dos meios de produção, graças ao aparecimento dos acionistas."

Correção: "Atualmente, boa parte da população economicamente ativa está desempregada ou subempregada. Pouquíssimos são remunerados de acordo com o 'valor real' de seus trabalhos e menos ainda são os que possuem ações das próprias empresas em que trabalham, os quais poderíamos chamar, 'por aproximação', de 'donos dos meios de produção'."

Um abraço,
Fábio Caetano - Salvador / BA
fccdoors@oi.com.br
02/07/2007

 

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